Hás-de compreender os dias
Hás-de sentir a mandíbulas
das palavras
A morder-te as razões
Serás a ave que dobra o canto
E que voa e dorme sobre a
tua história
Nas narinas da noite encontrarás o
teu refúgio
Na expulsão da humidade secarás o
corpo exausto
Serás o animal que com altivez
Cobre o rosto marcado pelas horas
Apanhas as migalhas que a
nudez não cobre
Guardas contigo as frases mais
belas
Nunca as dizes
Sabes que nos campos se guardam
vidas
E que nas longas tardes vazias há
reflexos de cristal
Docemente guardas todas tuas
angústias
E dormes na noite ténue...
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