segunda-feira, 30 de março de 2026

Hás-de compreeender os dias

 

Hás-de compreender os dias

Hás-de sentir a mandíbulas

    das palavras

A morder-te as razões

Serás a ave que dobra o canto

E que voa e dorme sobre a

    tua história

Nas narinas da noite encontrarás o

   teu refúgio

Na expulsão da humidade secarás o

   corpo exausto

Serás o animal que com altivez

Cobre o rosto marcado pelas horas

Apanhas as migalhas que a

   nudez não cobre

Guardas contigo as frases mais belas

Nunca as dizes

Sabes que nos campos se guardam vidas

E que nas longas tardes vazias há

    reflexos de cristal

Docemente guardas todas tuas

    angústias

E dormes na noite ténue...

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