quarta-feira, 1 de abril de 2026

Ondulante abelha

 

Ondulante abelha

Sentes o sabor adocicado da romã

Recordas a delicadeza de um abraço

Ouço-te esbracejar na teia esquecida

Canto salgado de harpa nua

Adormeces dentro de um pensamento

És o intervalo inclinado do silêncio

Tens a magnifica fadiga de uma ternura etérea

Caminhas impoluta e bela

Sobre todos os meus desassossegos

Minha incerta flor de aloendro

Meu barco desamparado

Esqueço-me que dos teus olhos saem os meus

E mesmo assim…

Sento-me na pedra lisa do poente

E vejo-te como um brilho ferido

Enquanto de longe…chega o verão...

 

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